PARTE II – O que é o CRAS segundo o Facebook


O que é o CRAS crítica blog psicologia no SUAS parte 2Oi Pessoal, o Post de hoje é a parte II do “O que é o CRAS segundo o Facebook”. Se você não leu a primeira parte, eu recomendo que você leia antes de prosseguir – Clicando AQUI.

Bom, após análise de quase 90 postagens nos perfis das unidades CRAS e SCFV, concluo que aqueles que sabem pouco ou nada sobre o que é o CRAS – me refiro aos moradores do território onde o CRAS está instalado, aos comerciantes do local, aos líderes religiosos e comunitários, aos profissionais da escola, aos agentes comunitários de saúde, equipes de saúde e os profissionais de outras redes que moram longe, mas que acessam o facebook e acompanham as postagens – poderão ter as  seguintes ideias sobre a função dessa unidade:

  • Local que oferece diversos cursos, como: artesanato, manicure, culinária, fuxico, corte e costura, cabeleireiro, maquiagem, tricô e crochê, informática, panificação, confecção de enxoval de bebê, pintura em tela (todos estes cursos foram citados nas postagens que analisei – Artesanato foi divulgado pela maioria;
  • Local de festas – comemorações para todas as datas com brinquedos infláveis e caracterizações.
  • Local para se fazer atividades físicas como ginástica, artes marciais, dança, capoeira e etc.;

 Faz-se isso tudo, com muita dedicação, mas por que que uma das maiores queixas das equipes de CRAS continua sendo a falta de adesão das famílias nas ações que supostamente é o PAIF? Porque isso é velho! Isso é a continuidade de uma assistência social pontual e meramente assistencialista e resultado dos trabalhos sociais realizados por ONGs e instituições muito antes de existir a PNAS e o SUAS. A maioria dos trabalhadores neste período tinha formação de nível fundamental ou médio – claro que algumas contavam com profissionais de nível superior, mas nem se compara com o número de hoje. Portanto, quem realizava essas ações eram pessoas com boa vontade e que queriam mobilizar a comunidade para promover atividades com intuito de romper a ociosidade das crianças, adolescentes e idosos.

 Qual a diferença com os CRAS de hoje?

 Considerando a regulamentação da política de assistência social e a criação do SUAS, trago como principal diferença os executores dessa política. Temos uma NOB-RH que regulamenta quais os profissionais de nível superior irão compor as equipes de referência e a coordenação, os quais são responsáveis por materializar a proteção social no âmbito da seguridade social – obviamente que são responsáveis junto com a gestão. Mas fomos “chamados” para reproduzir o velho? Eu não acredito nisso, assim como muitos que estão trabalhando segundo as diretrizes, princípios e objetivos dessa política, pautados num posicionamento ético-político que falamos no texto I – posicionamento fundamental, uma vez que operacionalizar uma política pública não se trata de seguir manuais.

 Voltando ao que é publicizado como ação dos CRAS, estamos em grande desvantagem, porque não fomos ainda capazes de desfazer mitos e nos debruçar em ações muito árduas. Não deveríamos fazer diferente com DIFERENÇA, já que o trabalho social passa a ser desenvolvido pautado no conhecimento teórico, técnico e metodológico?.

 Este trabalho “técnico” e muito árduo, não se materializa como essas atividades citadas acima que funcionam como um engodo, ludibriando e criando ilusão de que trarão resultados significativos. Qual a capacidade transformadora de um certificado de manicure oferecido pelo CRAS? Este, ao transvestir ou potencializar suas ações em matéria de formação profissional ou geração de renda, reforça a inclusão perversa – a culpabilização da família pela sua condição socioeconômica também permeia essas atividades.

 O CRAS, não sendo “casa de cursos profissionalizantes, mas atuando como se fosse e desenvolvendo ações de suposta geração de renda”, cria nos indivíduos e nas famílias uma expectativas de inclusão no mercado de trabalho e de mudança da condição econômica da família. Isso não vai acontecer! (Pelo menos em escala relevante). Será mais uma frustação e mais uma “razão” para continuar desacreditando em si e nas políticas públicas.

 Esta por sua vez, atribuirá a eles a culpa pela fracasso: quantos vezes irão repetir: “nossa, a Patrícia já fez curso de culinária, cabeleireiro e bordado em pano de prato, mas continua querendo fazer mais curso e nada de arrumar um trabalho”. Provavelmente não arrumou trabalho porque o que ela faz é de baixa qualidade, tem pouca escolaridade ou o mais importante: ela ainda não foi escutada, se fosse, talvez descobririam o que ela gostaria de fazer e que teria sentido para a sua vida. Infelizmente, conhecer a demanda não significa acesso ao serviços púbicos ou privados! Mais um motivo para que nosso trabalho seja levado a sério, porque uma situação dessa não dá pra ser tratada segundo as ideias ou concepções do senso comum, correndo o risco de perpetuar a naturalização das consequências da desigualdade social.

 O que é o CRAS crítica blog psicologia no SUAS parte IIQuando penso que o trabalho social (as ações propostas pelo PAIF) não se materializa na mesma lógica das atividades em questão, é porque os seus resultados não podem ser observados somente através de números, e não funcionam como “chamariz” para ações partidárias. Não adianta pressa! Pois não se deve marcar data para colher os frutos desse trabalho, porque ele pode aparecer na próxima década ou geração da família e se não aparece nesta instituição, ele será tão pouco observável nas tramas do território.

 Já pensaram na periodicidade decenal dos planos das políticas públicas? Sumariamente é por considerar que não se muda nada do dia para a noite e que tudo precisa ser diagnosticado, planejado e continuado – devendo acontecer de formar articulada e integrada com os demais setores públicos e privados. Não tenhamos pressa! O tempo das famílias não é o mesmo do calendário político.

 Não é para correr, mas muito menos para ficar “sentado” assistindo aos equívocos na oferta dos serviços – resistir, se posicionar por questões dessa natureza faz parte das atribuições de todo mundo. Tenhamos sabedoria e compromisso com o que estamos propondo a construir, por que quem disse que a proteção social básica não é complexa? você já parou para analisar que muitas famílias que são atendidas nos CRAS estão com os direitos humanos violados?

 Finalizando, quero reforçar que este texto é referente ao que vi nas postagens no facebook e segundo o que leio ou ouço dos próprios técnicos, portanto, os CRAS onde o trabalho está acontecendo a contento, não fiquem preocupados – não estou generalizando – até porque isso seria impossível, de acordo com a pesquisa divulgada pelo IBGE, em Maio de 2014, tínhamos 7.968 CRAS pelo País e eu acompanhei as postagens de apenas 70 CRAS! Inclusive irei comentar no último Post, três postagens que gostei muito, tem muito CRAS trilhando por bons caminhos. Por isso, aproveitem para comentar aqui ou na página no facebook suas impressões e a realidade que você vivencia.

 No próximo Post, farei algumas considerações sobre as atividades físicas no SCFV, os discursos sobre os grupos atendidos e sobre formas mais assertivas de divulgação dos serviços do CRAS através do Facebook.

Até lá!

O que é o CRAS segundo o Facebook – PARTE I


O que é o CRAS Blog Psicologia no SUASConforme mencionei lá na fanpage ( Se você não conhece a página, clique AQUI) este post é consequência das postagens dos perfis no facebook das unidades de CRAS e SCFV em vários Municípios e Estados. Considerei relevante problematiza-las para que possamos refletir sobre o que estamos disseminando por aí, uma vez que as postagens demonstram e reproduzem equívocos sobre os serviços ofertados pela Proteção Social Básica.

A ideia inicial era fazer Print das publicações para que este post conquistasse também os “São Tomé”, mas para não expor as unidades, os trabalhadores e os usuários, eu demoraria uma eternidade para manipular as imagens. Talvez a necessidade de ver para acreditar seja minha, porque às vezes reluto em não ser confundida com uma pessoa pessimista, que só olha o lado ruim. Carrego as bandeiras da implicância (no sentido de envolver, enlaçar e não no sentido de atrapalhar ou confundir); da criticidade e da reflexão. Se eu me movimento com elas, me permito parar, olhar e analisar se devo continuar por determinado caminho ou não.

No meu entendimento, é essa pausa que não se permitem fazer (psicólogos, assistenciais sociais, coordenadores, gestores, técnicos de nível médio e demais executores da política), será por que isso dá trabalho e requer tempo? Ou é por que ainda se opera na lógica perversa de que para pobre qualquer coisa serve?

E o pior, aqueles profissionais politizados e críticos – muitas vezes, são colocados para fora dos trilhos ou se cansam de terem a voz tolhida e julgados por não falar a língua de todo grupo – regendo a lei da quantidade e não da qualidade.

Portanto, tratar questões como essa proposta aqui, não é porque não se acredita no CRAS, no SCFV, é justamente por acreditar que ele precisa conter uma nova lógica no trato com as pessoas que demandam de proteção social e no nosso caso de seguridade social.

A Política Nacional de Assistência Social e as demais Políticas Nacionais como a do idoso, criança e adolescente se bem traduzidas para a prática, estaríamos recebendo em nossa “linha do tempo” muito mais do que ela tem nos oferecido, o que passaria por um posicionamento ético.

Me estendi muito. Vou dividir esse Post analítico em outras três ou quatro partes. Mas para fechar essa parte, fazendo alusão ao meu debate na Oficina sobre trabalho Multiprofissional e o conceito de interdisciplinaridade no 3º Seminário Estadual sobre Psicologia e Assistência Social em São Paulo, o SUAS nasceu velho ou nossa concepção de proteção social de direitos sociais é que está envelhecendo as políticas públicas?

Ah! E não confundam pessimista com crítico. O primeiro é aquele que não acredita no sucesso ou resultado de nada, escolhendo sempre a primeira fila para testemunhar o fracasso, enquanto que o crítico é aquele que planeja e sabe qual caminho e qual direção é a mais assertiva, naquele momento. Estando pronto para desviar e refazer a trilha quantas vezes forem necessário para alcançar o resultado.

Até breve!

Materiais para ações socioeducativas e de convivência com crianças, adolescentes e jovens TOP 10 #04


TOP 04 Blog Psicologia no SUAS materiais socioeducativosNo Post de hoje, #TOP04 compartilho com vocês materiais que tratam do trabalho socioeducativo com crianças e adolescentes. A ênfase é na Coleção “Parâmetros Socioeducativos: proteção social para crianças, adolescentes e jovens”. ( ver referência completa abaixo)

O material é anterior às normativas mais recentes do SUAS, mas esta coleção é tão bem produzida que considero uma pena ela não ser divulgada e utilizada no trabalho – claro que com as devidas atualizações e contextualizações de acordo com cada realidade, uma vez que o documento é referente aos desafios e questões identificadas e trabalhadas em São Paulo.

De acordo com a Apresentação da coleção: os Parâmetros Socioeducativos: proteção social para crianças, adolescentes e jovens foi reduzido no escopo de uma parceria que conjugou os esforços e interesses da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, da Fundação Itaú Social e do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. (CENPEC)

Os materiais podem ser adaptadas para o SCFV, mas também têm ideias para atividades com crianças e adolescentes que podem ser desenvolvidas em diferentes serviços.Parametros das ações socioeducativas - Volume

A coleção foi organizada em 03 Cadernos: (para BAIXAR clique no título de cada caderno abaixo)

Caderno 1: Síntese –  Apresenta uma síntese dos aspectos primordiais e de interesse mais abrangente. Destina-se a educadores e gestores de programas e políticas socioeducativas. 

Parametros das ações socioeducativas - Volume blog Psicologia no SUASCaderno 2: Conceitos e políticas – Explicita as concepções orientadoras e a configuração da política de assistência no escopo socioeducativo para a infância e juventude. Destina-se a educadores e gestores de programas.

Caderno 3: Trabalho socioeducativo com crianças e adolescentes de 6 a 18 anos  – Contém orientações sobre o funcionamento dos  serviços socioeducativos, as metas de aprendizagem, as referências metodológicas e um repertório de atividades. Destina-se a educadores e gestores de programas voltados a esta faixa etária.Parametros das ações socioeducativas - Volume blog

Créditos: CENPEC – Referência: Parâmetros socioeducativos: proteção social para crianças, adolescentes e jovens: Igualdade como direito, diferença como riqueza: Caderno 2: Conceitos e políticas. / CENPEC – São Paulo: SMADS ; CENPEC ; Fundação Itaú Social, 2007. 51 p.


Confira mais estes materiais abaixo e outros disponibilizados no Post original – Clicando AQUI.
 

Vejam o Post original com Materiais para Ações socioeducativas mais estes materiais com essa temática - Clicando AQUI. 

 Posts da série TOP 10 do Blog Psicologia no SUAS:

 #01 Indicação de leitura para atuação no SUAS (Encontre mais de 40 sugestões de materiais sobre Cras, Creas…)

 #02 Atividades com Idosos no PAIF – SCFVI – PAEFI (Sugestões de Materiais sobre Grupo de Idosos)

 #03 Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV ( Sugestão de materiais sobre o SCFV

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Até breve!

Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV TOP 10 #03


SCFV PSicologia no SUASHoje tem mais um Post do TOP 10 Blog Psicologia no SUAS. No texto #03, trago os materiais (com atualização dos Posts anteriores) referentes ao reordenamento do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos  – SCFV, pois este assunto ainda é permeado de muitas dúvidas.

O SCFV estava tipificado desde 2009, então para facilitar a compreensão é importante tratar o reordenamento como uma instrução de operacionalização/execução deste serviço, principalmente quanto ao público prioritário, além é claro, dos avanços positivos como a mudança na lógica de financiamento, dando maior autonomia e flexibilidade aos Municípios para organizarem o serviço de acordo com o público mais recorrente.

Vale considerar também a mudança quanto ao público atendido, pois foi incluído o público de 18 a 59 anos, o que alterou a Tipificação através da Resolução nº 13 de 2014. Quanto a este público é importante frisar, novamente, a importância de se trabalhar com o público prioritário.

É sempre bom perguntar: quem realmente se encontra em situação de vínculos familiares/sociais fragilizados está inserido no SCFV? a prática nos mostra que nem sempre está frequentando e é por isso que devemos ficar atentos e não ir “lotando” os grupos com todos os sujeitos que acolhemos na unidade. É preciso estudar os casos, identificar verdadeiramente a demanda dos usuários e das famílias.

É sabido que nos é exigido muito mais do público que mais precisa, mas que menos acessa os serviços do que daquelas famílias que buscam o serviço e expressam com mais facilidade suas necessidades e potencialidades  – esta é uma das razões de se ter equipe de referência no PAIF e PAEFIPortanto, repense as formações dos grupos, será que um grupo cheio é sinônimo de pleno funcionamento do SCFV? estão atendendo o público prioritário? Se atente para a diferença entre público do serviço e público prioritário. 

Quais são as situações prioritárias para o atendimento no SCFV?

Segundo a Resolução CIT nº 01/2013 e a Resolução CNAS nº01/2013 considera-se público prioritário para a meta de inclusão no SCFV crianças e/ou adolescentes e/ou pessoas idosas nas seguintes situações:

  1. Em situação de isolamento;
  2. Trabalho infantil;
  3. Vivência de violência e, ou negligência;
  4. Fora da escola ou com defasagem escolar superior a 2 anos;
  5. Em situação de acolhimento;
  6. Em cumprimento de MSE em meio aberto;
  7. Egressos de medidas socioeducativas;
  8. Situação de abuso e/ou exploração sexual;
  9. Com medidas de proteção do ECA;
  10. Crianças e adolescentes em situação de rua;
  11. Vulnerabilidade que diz respeito às pessoas com deficiência.

Bom, feito estas considerações, relaciono abaixo os links para vocês acessarem os materiais sobre o Reordenamento e sobre SCFV em geral: ( Clique no Título para baixar os documentos)

1 – Resolução nº 01, de 21 de Fevereiro de 2013, que “Dispõe sobre o reordenamento do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV, no âmbito do Sistema Único da Assistência Social – SUAS

2 – Passo a Passo – Reordenamento SCFV

3 – Reordenamento do SCFV pela Subsecretaria de Assistência Social de MG ( vídeos de uma capacitação realizada pela SUBAS- MG, os quais Joanita Pimenta detalha e explica muito bem sobre as mudanças – Agradeço a Sedes pelo pronto atendimento ao liberar novamente os vídeos!)

4 – Resolução CNAS Nº 13, de 13 de Maio de 2014. Inclui na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, aprovada por meio da Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, a faixa etária de 18 a 59 anos no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

5 – Slides do MDS (disponíveis na Internet) sobre o reordenamento ( para gestores do SUAS e técnicos em geral)

Slide Reordenamento SCFV

Apresentação Reordenamento SCFV histórico com PETI

Apresentação Reordenamento SCFV 23102012

6 – Perguntas e Respostas sobre o SCFV – MDS ( Ótimo material para tirar as dúvidas. Tenho certeza que muitas das suas dúvidas serão sanadas através da leitura deste material realizado pelo MDS)

7 – Teleconferência mais recente que aborda o SCFV como complementar ao trabalho social com famílias e prevenção das situações de vulnerabilidade ( 2014)

8 – Teleconferência ( MDS e NBR) sobre o reordenamento do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos ( 2013)

9 – Cadernos de Orientações SCFV e PETI

10 – O PETI não acabou, seria muito bom se isso fosse verdade! ( texto que discorro sobre os entendimentos equivocados acerca do reordenamento e do PETI)

11 – Caderno MDS: Concepção de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (2014)

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Acompanhe os demais Posts da série TOP 10 do Blog:

1 – #01 Indicação de Leitura para atuação no SUAS ( encontre mais de 90 sugestões de materiais sobre Cras, Creas…)
2 – #02 Atividades com Idosos no PAIF – SCFVI – PAEFI ( encontre sugestões de materiais e experiências com grupo de idosos)

Até breve!