Sugestões para o uso do facebook pelos CRAS, CREAS, SCFV e outras unidades do SUAS


Para fechar a série “O que é o CRAS pelos Facebook”, hoje eu trago algumas ideias sobre a criação e manutenção do perfil pelas unidades e serviços (por ex.: Cras, Scfv e Creas). Para entender porque chegamos neste Post, sugiro a leitura dos quatro textos anteriores:

  1. O que é o CRAS segundo o Facebook – PARTE I 
  2. O que é o CRAS segundo o Facebook – PARTE II 
  3. Parte III  – Sobre as oficinas no SCFV – “O que é o CRAS segundo o Facebook e;
  4.  Grupo da melhor idade? Quem foi que disse?

Nestes textos procurei problematizar e provocar reflexões acerca das ações equivocadas desenvolvidas nos CRAS/PAIF/SCFV e que acabam sendo publicadas no perfil do facebook, o que colabora para que os usuários e os atores das demais políticas públicas tenham uma ideia errônea acerca da proteção social e consequentemente das atribuições dos técnicos de referência dos serviços, além de contribuir com a reprodução de discursos que revelam contradição com os objetivos da Política de assistência social, pautada da defesa dos direitos sociais, tendo como matriz os direitos humanos.

Sem a pretensão de ter a verdade sobre este assunto, eu arisco compartilhar algumas ideias/sugestões para qualificar o uso do facebook pelas equipes dos serviços:

Para qualificar o uso do FB pelo CREAS, CRAS, SCFV, NÃO utilize para/como:

  1. Espaço para ideias pessoais (ou expor descontentamento com os membros da equipe ou com o serviço. Essas questões devem ser resolvidas em reuniões de trabalho);
  2. Espaço para manifestação religiosa (perfil do SCFV, onde as ações do mesmo são introduzidas ou pautadas em orações!);
  3. Publicação de conteúdos “políticos partidários” (A política é de Estado e não de Governo! Vale pensar: como se sentirá um cidadão que não comunga com o partido “apoiado pela unidade” ao necessitar dos serviços?) provavelmente nem procurará e com certeza continuará com a ideia de que o CRAS ou CREAS estão só de passagem, assim como o mandato do Governo atual e assim, a ideia da Assistência social como Direito não se consolida.
  4. Reclamação e queixas sobre as políticas locais (este está ligado ao anterior, lembre-se, se é perfil da unidade pública, não é lugar para expor reprovação sobre o Governo (situações onde “quem atualiza” o perfil reprova);
  5. Compartilhamento de Posts que violam Direitos humanos, como Posts virais, memes que ridicularizam e humilham pessoas.
CRAS facebook uso

Quadro síntese as sugestões

Sugestões para um uso mais assertivo do Facebook pelo CREAS, CRAS, SCFV, Centro Pop …

  1. Compartilhar os conteúdos do MDS e da Secretaria de seu Estado, bem como dos Ministérios e Secretarias;
  2. Comunicar e informar os cidadãos, rede socioassistencial e setorial sobre os serviços e ações do CRAS, CREAS, SCFV, CadÚnico, e outras unidades;
  3. Compartilhar as publicações dos perfis da rede socioassistencial e setorial, o que ajuda na divulgação das ações e no fortalecimento da articulação (sempre atentando para o conteúdo);
  4. Publicizar ações realizadas com a divulgação de algumas fotos (não publique todas as fotos tiradas, selecione aquela (s) que mais reflete(m) o objetivo da ação);
  5. Divulgar as datas das reuniões dos Conselhos de Direitos do seu Município;
  6. Publicar pequenos textos sobre as normativas e regulamentações da Política de Assistência Social e textos sobre os objetivos dos serviços, programas e projetos também é algo útil.
  7. Os CREAS devem superar a pontualidade das atualizações de acordo com as campanhas do dia 18 de Maio e 12 de Junho, por exemplo. (como o público são pessoas que foram vítimas de violação de direito com violência, certamente tem menos conteúdo de ação para publicar, mas poderia fazer um ótimo trabalho divulgando pequenos textos sobre violência contra a mulher, reflexões sobre a desigualdade de gênero; violência contra criança e adolescentes; articulação com o Sistema de Garantia de Direitos; divulgar as atribuições do Conselho Tutelar; questões e dados sobre a violência e proteção da pessoa idosa; Divulgar ações da comissão, gestão e técnicos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil; dentre outras temáticas;
  8. A criação, atualização e produção de conteúdo devem ser acordados entre a equipe e eleger o (s) profissional (s) com mais habilidade para colaborar com a coordenação da unidade, quem considero responsável pelas publicações e pela manutenção do perfil (o perfil deve ser criado com a conta de e-mail da unidade e não com e-mail pessoal);
  9. Outra dica, não crie um perfil apenas para divulgar fotos da equipe, se for criar que seja com o intuito de potencializar a comunicação com os usuários dos serviços e com os demais trabalhadores do SUAS e os trabalhadores das demais políticas públicas.
  10. Por último, mantenha o perfil atualizado e procure interagir com os seguidores respondendo perguntas e comentários.

Espero ter ajudado! Deixem sugestões aqui também e me digam o que acharam!

Material sobre o trabalho com famílias (NECA)


Novos rumos para o trabalho com famílias

TRabalho com famíliaLivro/Cartilha Novos rumos para o trabalho com famílias disponível para download: AQUI

Apresentação “Novos rumos para o trabalho com famílias foi elaborado para contribuir com todos aqueles que se dedicam ao trabalho com crianças, adolescentes e suas famílias em situação de risco social e pessoal. A intenção é que ele possa correr de mão em mão, provoque discussões, reflexões e invenções. É uma primeira edição e esperamos que, ao longo do tempo, esta publicação seja avaliada e aprimorada à luz da experiência de todos aqueles que “tecem manhãs esperançosas e promissoras”. Pág. 9

Moreira, Maria Ignez Costa. Novos rumos para o trabalho com famílias . São Paulo : NECA – Associação dos Pesquisadores de Núcleos de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente, 2013.


O Blog no Facebook: Acompanhar as atualizações

Jogos socioeducativos adaptáveis para o SCFV


Oi pessoal,

Conforme adiantei na fanpage, eu divulgo hoje quatro jogos educativos elaborados pela RECIMAM – Rede de Cidadania Mateus Afonso Medeiros e PROGEG – UFOP. Uma das autoras (grande referência profissional pra mim :) ) a Prof. Drª. Lúcia Afonso me presenteou e apresentou os jogos, mostrando que ao adaptar a linguagem para o contexto do SUAS – SCFV, eles podem funcionar com uma ferramenta para trabalhar Cidadania, Direitos Humanos, prevenção e combate ao Bullying, Meio ambiente e outros temas . A intenção era fazer este post após o uso dos jogos nos grupos, mas como não estou mais no CRAS passarei para uma colega trabalhar com o orientador social do SCFV (depois eu volto aqui e escrevo a experiência). Para não atrasar mais resolvi postar mesmo que seja para apresentar o material a vocês e indicar onde vocês podem baixá-los para impressão. Sim! Os quatro jogos estão disponíveis para acesso e download gratuito.

Eu encontrei um texto “O lúdico na Educação em Direitos Humanos” de uma das autoras dos jogos, Flávia Lemos Abade, onde ela diz o seguinte: ” Ao longo dos anos de 2011 a 2013, a equipe do Projeto de Extensão Oficinas de Direitos Humanos do Centro Universitário UNA produziu em parceria com o Programa de Educação para a Diversidade (Proged) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) quatro jogos. Foram eles: Jogo da Igualdade e das Diferenças (sobre bullying e direitos na escola), Trilhas da Cidadania (sobre direitos de cidadania, em uma perspectiva diversificada), Dominó dos Objetivos do Milênio (sobre os Objetivos do Milênio) e Siga o Lixo (sobre reciclagem e meio ambiente). Em 2013, com apoio material do Ministério da Educação (MEC) e da UFOP, esses quatro jogos receberam programação visual e foram impressos para serem distribuídos nas escolas públicas estaduais trabalhadas pelo Proged. Além de um folheto com regras, conteúdos e materiais, cada jogo incluiu um texto para educadores, abordando o seu uso em EDH”.

Eu vou deixar que vocês acessem todo o material e demais referências lá no site da Recimam – Portanto, basta você clicar no título de cada foto abaixo para ir direto ao DOWNLOAD.

1. Jogo da Igualdade e das Diferenças (sobre bullying e direitos na escola)

2. Trilhas da Cidadania

3. Dominó dos Objetivos do Milênio

4. Siga o Lixo (sobre reciclagem e meio ambiente)

Eu achei excelente a proposta destes jogos e acredito que a experiência com eles poderá ser bem proveitosa. E quem sabe as autoras não criam uma versão especial para o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos? ;)

Meus agradecimentos a Prof. Drª Lúcia Afonso pelo presente e pela honra do encontro! Parabéns a todos os profissionais envolvidos neste projeto, também em especial a Flávia Abade que fez uma vista aqui estes dias e me deixou um recado carinhoso ;)

Site RECIMAM

Referência do texto citado:

Curso intensivo de Educação em Direitos Humanos – Memória e Cidadania 2014 / coordenação e apresentação Kátia Felipini Neves e Caroline Grassi Franco de Menezes ; textos João Ricardo Wanderley Dornelles … [et al.]. São Paulo : Memorial da Resistência de São Paulo : Pinacoteca do Estado, 2014.  Acesso clique AQUI

Grupo da melhor idade? Quem foi que disse?


Idosos CRASNo penúltimo Post da série “O que é o CRAS segundo o Facebook”, vou tratar hoje dos discursos acerca dos idosos, públicos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para pessoa idosa.

Conforme já provoca o título deste post, quero convidar você a repensar essa ideia de que a velhice é a melhor idade. Então a vida começa aos 60, quem foi que disse?

Mas já disseram que a vida começa aos quarenta. Quem foi que apagou as primeiras quatro décadas? “Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta? (Biquini Cavadão – Zé ninguém)

É compreensível que o termo “Melhor idade” seja reproduzido desmedidamente (e não me refiro apenas aos CRAS, CREAS, mas também a outras instituições, como reproduziram nas últimas semanas os perfis no facebook do Senado e do CNJ) porque soa afável e demonstra boas intenções daqueles que trabalham com este público nos serviços públicos ou privados. Mas sabemos que a bondade e a boa intenção não são garantias de um trabalho social capaz de romper com o assistencialismo e promover processos emancipatórios do sujeito.

Tratar a velhice como a melhor idade é um romantismo raso que desqualifica a vida dessas pessoas e que tenta esconder as agruras do que significa ser velho numa sociedade que insiste que só há beleza e produção na juventude.

Olha como caímos nas ciladas dos discursos. Quando tratamos os idosos como viventes da melhor idade estamos justamente banalizando sua vida atual, é como se o idoso deixasse sua bagagem para trás e entrasse desvestido em um portal onde ser velho significa viver no paraíso. Mas neste paraíso ele deixa de ser sujeito para se tornar uma massa, um coletivo.

E os desejos, afetos, escolhas, projetos, sexualidade, sexo, trabalho, mobilização social, participação e inúmeras expressões da subjetividade? Isso é coisa da fase ruim da vida! No paraíso o que eles querem mesmo é dançar um forró e jogar dominó. É bom isso, assim eles esquecem as dores, sabe aquelas dores que andam? Que a cada hora estão numa parte do corpo? Isso é do idoso.

Há aqueles idosos que se queixam desse “paraíso”, reclamam que é sempre o mesmo CD, o mesmo lanche, ou que faltou açúcar no café. Como pode? Ah, esses são os ranzinzas!

Lembra que eu escrevi nos textos anteriores sobre a diferença de um trabalho social feito por profissionais com formação e daquele feito antes do SUAS, onde o trabalho (em sua maioria) era pontual e sem embasamento teórico, técnico e metodológico? É justamente esse ponto que me convoca a refletir sobre a reprodução de discursos equivocados por profissionais que deveriam pensar e agir diferente, criando novas formas de ver, compreender, tratar e trabalhar com os idosos.

Nesta altura do texto você pode questionar: mas que alarde por conta de um termo! – se isso acontecer não fui capaz de provocar a reflexão esperada, mas quero reforçar que nossa prática é resultado do nosso discurso. Se o discurso não revela aliança com a emancipação, autonomia e protagonismo, como ser agente ético e político de mudança?

Portanto, não é mais ético e construtivo deixar que cada um diga qual é ou qual foi sua melhor idade?

No próximo e último texto desta série, farei sugestões de algumas formas mais assertivas de divulgação dos serviços do CRAS, CREAS, SCFV através do Facebook.

Para ler os Textos anteriores, clique nos links: