15 teses sobre a oferta do SCFV…


…Vamos falar sobre isso?

Conheci um material que poderá ajudar muitos profissionais na execução do SCFV e gostaria de disponibilizá-lo a vocês por aqui também. Mas considerando que a oferta do SCFV ainda está permeada de dúvidas e que tenho identificado uma situação recorrente em diferentes regiões do País, resolvi elencar algumas das minhas constatações para dialogar com vocês quanto a situação e qualidade do que se tem ofertado na proteção social básica antes de publicar os cadernos. (O post com os cadernos será publicado amanhã)

Não preciso nem dizer que não se trata de generalização, sei que há municípios que estão superando ou já superaram as desafios do reordenamento e oferta deste serviço. Por isso estou chamando de teses e não de verdades, porque assim poderemos refutá-las a qualquer momento e por qualquer município.

Por que esta lista? Porque acredito que precisamos falar sobre o que ninguém fala e por entender que evidenciar a real situação é o que poderá garantir um aperfeiçoamento da oferta dos serviços socioassistenciais, bem como possibilitar a avaliação dos impactos positivos ou não para os indivíduos, famílias e território.

15 teses situacionais – SCFV

Green Check MarkA capacidade de atendimento informada ao MDS é quase sempre superior a real demanda do município.

Green Check MarkA informação é pautada visando a garantia do recebimento da verba. Essa informação, em muitos casos, foi dada sem diagnóstico das demandas, sendo que muitos serviços continuam sem atingir o público prioritário.

Green Check MarkPara atingir o quantitativo previsto os usuários foram inseridos direto no SCFV-SISC (Sistema de Informações do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos).

Green Check MarkOs técnicos de referência do PAIF não tiveram agenda para atender as famílias dos usuários do SCFV (os quais foram inseridos no SISC logo após o reordenamento).

Green Check MarkSituação que descaracteriza este serviço como complementar ao trabalho social com famílias do PAIF.

Green Check MarkTodos os grupos que funcionavam nos CRAS (mesmo sendo do PAIF) passaram a ser nomeados como SCFV (inseridos no SISC), havendo marcantes desentendimentos entre ações do PAIF e ações do SCFV.

Green Check MarkA atualização/remoção do usuário do Sistema é uma questão se não há atendimento/acompanhamento.

Green Check MarkOs técnicos de referência não conseguem desenvolver o trabalho social com famílias, mas estão executando o SCFV. Assim, as situações das famílias e do território são desconhecidas pelos técnicos.

Green Check MarkA composição das equipes de referência estão aquém do mínimo previsto na NOB/RH-SUAS, mesmo sabendo que a demanda é muito superior a capacidade de atendimento desses profissionais, o que indica que a composição das equipes deveriam superar esta lógica de “equipe mínima”.

Green Check MarkBoa parte dos orientadores sociais, profissionais de nível médio, são escalados para trabalharem com grupos sem nunca ter passado por capacitações/treinamentos.

Green Check MarkA socioeducação neste serviço ainda não rompeu com a lógica escolar.

Green Check MarkMuitos orientadores e técnicos de referência não conhecem de forma satisfatória o ECA, e o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária- PNCFC e outros marcos legais.

Green Check MarkÉ comum a oferta do SCFV acontecer somente através de atividades de artesanato, de esporte, música.

Green Check MarkOs grupos/coletivos ainda carecem de planejamentos mais pertinentes quanto aos percursos.

Green Check MarkO SCFV para a pessoa idosa tem se tornado espaço permanente para os mesmos idosos que demandam atividades esportivas, culturais e de lazer.

Se ainda tem trabalhadores que confundem, não custa lembrar: o SCFV não é o substituto do PETI. Leia mais neste Post: O PETI não acabou…

E você, corrobora ou refuta essas teses? Por que você acha que estas situações são tão recorrentes? me conte aqui sobre a situação da oferta do SCFV no seu Município e se tem confusão de entendimento com as atividades do PAIF.

31 comentários

  1. OLA, VOCÊ VAI PUBLICAR O MATERIAL-SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS?
    Estou encantada com a diversidade de fontes para pesquisa e esclarecimentos assim como com sua organização e comprometimento profissional.
    Parabéns!

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  2. Sim, as teses estão corretas! No município onde atuo, dentro de um cras, mediando grupos de scfv, somos chamados de “monitores”. Não recebemos capacitação, não temos diretrizes, o planejamento não é feito junto dos técnicos, não sabemos o que fazer com as “demandas trazidas pelos grupos” pois não há paif e nem mesmo entendemos qual é o objetivo do nosso serviço nessas circunstâncias. A carga horária dos grupos é de seis horas semanais, grupos mistos de PETI, público Prioritário e crianças cujas famílias são atendidas, sendo nosso serviço notoriamente um espaço que pretensamente oferece esporte, cultura e lazer num território vulneravel e sem muitas alternativas. Somos uma mistura de psicólogos, orientadores e oficineiros, sem ao menos contarmos com material para as atividades planejadas! Eu e diversos colegas estamos sobrecarregados e infelizes, pois temos comprometimento com os grupos mas sabemos que o serviço está aquém do que deve ser.

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    1. gente, é impressionante eu já trabalhei como ‘monitora’ num scfv, e a semelhança que a debora relatou é grande, até olhei o nome p ver se não era uma colega, é um ‘apagar incendio’ q não cessa.

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  3. Sem tirar e nem por , todas as teses vem de encontro com realidade vivenciada no cotidiano do trabalho social, gerando total desconforto nas relações profissionais e prejuízo para o público alvo dos programas sociais, principalmente nos municípios de pequeno porte. Juntos, buscando conhecimento que gera empodramento vamos nos fortalecendo e rompendo com essa visão e prática distorcida do trabalho social.

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  4. Todos esses erros, são acometidos no município em que trabalho, é uma luta diária desmistificar todos esses erros. Para o ano de 2017, resolvemos começar do zero, organizar o SCFV como nas orientações e normas técnicas. E espero aqui ganhar mais conhecimentos para garantir o melhor serviço para a população.

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    1. Olá Michelle também estamos neste momento de reordenamento do Serviço de Convivência, sou Assistente Social. Poderíamos ir trocando algumas experiências!!! Tem contato?

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  5. Dentre todos os que mais me angustia é o usuário ser inserido diretamente no SCFV sem antes passar pelas equipes de referência, o serviço acaba acontecendo de forma isolada, sem o tão necessário acompanhamento familiar e se limita a atividades descontextualizadas, sendo pior quando o público é crianças e adolescentes, em que se cria o mito de que fora do horário escolar é necessário que pessoas em vulnerabilidade estejam ocupadas para não “caírem na marginalidade”. Me preocupa também é o despreparo dos orientadores e facilitadores que só reproduzem atividades. Certa vez, realizei capacitação com os orientadores e facilitadores do município em que sou servidora e poucos se interessaram e se empenharam em desmistificar os objetivos reais dos serviços ofertados na assistência social.

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    1. Bastante grave isso Luciana. Sendo que como fluxo obrigatoriamente o indivíduo inserido no SCFV tem que passar pelo técnico de Referência (Assistente Social), antes de qualquer coisa! Existe uma video conferência no Canal do MDS a respeito disso. Vale a pena conferir. No yootube. Forte abraço!

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  6. Só li verdades… até mostrei para outros colegas que atuam na mediação dos grupos de convivência juntamente comigo! É por isso que brigo sempre, para que nossa atuação não seja um mero “faz de conta” por que aparentemente é tudo muito bonitinho!!!

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  7. Não só concordo com as teses, mas ressalto a ausência da Vigilância Socioassistencial, que poderia dar suporte no levantamento nao só das vulnerabilidades, mas das potencialidades para subsidiar as ações, seja do SPAIF, seja do SCFV. Ressalto também o território de abrangência dos equipamentos, pois o público mais carente não tem condições de frequentar sistematicamente os grupos. A frequência em nossos grupos é baixissima, devido a distância e as dificuldades financeiras para pagar transporte. Lembrando que existe uma orientação que o SCFV não necessariamente deve ser realizado nos Cras, caso ele não tenha a estrutura adequada para isso (e aqui poderia entrar a localização do equipamento para o público alvo, no meu entendimento). A preocupação primordial dos Cras é desenvolver o SPAIF. Se conseguir fazer este serviço terá muito mais subsídio para criar os SCFV ou indicar locais onde estes serviços podem ser realizados para melhor atender os usuários. Infelizmente os grupos estão sendo criados sem critérios, sem falar que são criados sem redimensionamento das equipes e sem preparação dos orientadores. Vou parar aqui, se não vou escrever um jornal.

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  8. Realmente, a realidade do SCFV perpassa ainda por estas teses, porque os municípios não conseguiram se adequar totalmente a esse novo formato de trabalho. Muito se fica preso apenas no sistema SISC para não perder o recurso e pouco se põe em prática as ações deste serviço.

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  9. Todas essas 15 teses me lembraram exatamente a minha rotina diária. É algo que tem me incomodado profundamente, me desmotivado e me feito desejar desistir. Fico me perguntando qual o caminho para se resolver, para que possamos fazer funcionar algo que é uma política tão bem construída e fundamentada.
    Alguém tem essa resposta?

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  10. Bom dia! Com toda certeza são muitos os obstáculos para o desenvolvimento deste serviço, principalmente superar o fato de que oficina não é grupo de convivência, mas um instrumento/técnica com duração determinada e objetivo específico que pode ser utilizado para consolidar determinado assunto trabalhado dentro do grupo, que é, continuado e com diretrizes e objetivos mais abrangentes…como a colcha de retalhos que aprendi aqui no blog. Contudo, acredito ser um trabalho possível e de extrema importância para complementar o Paif, claro, desde que tenhamos profissionais em quantidade suficiente e formação continuada, pois sem orientação o serviço é ofertado sem objetivo, com ações pontuais, sem metodologia, com reproduções exclusivas e intervenções baseadas no senso comum. Para executar um serviço de qualidade esta equipe é muito “mínima” e sua ampliação é urgente.

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    1. Oi Luciana,
      Muito pertinente os pontos que você aborda, inclusive o apontamento de que se trata de um serviço importante e por isso há que se investir na sua implementação.
      Obrigada pela participação!

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  11. Olá,
    Que bom poder partilhar das experiências com todo Brasil. Assumi como Psicóloga de um CRAS e o chefe falou que o outro psicólogo (anterior) tinha um grupo de crianças, era responsável pelo SCFV de 3 a 12 anos. Levei um choque quando peguei os cadernos e vi somente atividades de matemática e sílabas. Guardei o material. As crianças não sabiam o que vinham fazer aqui, nem os profissionais que ficaram sabiam diferenciar SCFV de atividades físicas e artesanato. O PAIF é dificílimo vê-lo acontecendo. As famílias ficam longe do CRAS. A visão que se tem que CRAS é para pedir BPC e cesta básica. As teses são verdades para o meu município.

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    1. Obrigada por comentar e partilhar de sua realidade, Maria José! Isso ajuda a expor a REAL situação da oferta dos serviços socioassistenciais e mostra o quanto essas teses são comuns em diferentes regiões e que precisamos discutir isso em busca de alteração desse quadro.

      Um abraço

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  12. Concordo com essas teses e com esses comentários, realmente está muito difícil trabalhar com equipes tão mínimas e sem capacitações que realmente vale a pena, pois o governo joga os programas de para quedas e a gente tem que desenvolver por que se não ainda respondemos por isso. A situação ta cada vez pior.

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  13. Estou de alma lavada com essa sua tese. Sempre bati nessa tecla no meu município de referência e enfrentamos exatamente os mesmos problemas, além da incapacidade para a superação dos mesmos. Parabéns pela visão crítica. Achei que eu fosse a única a visualizar esse panorama na assistência.

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    1. Oi Jade!
      Obrigada por compartilhar sua percepção. E se ela aproxima das teses apresentadas isso nos mostra o quanto precisamos avançar. Acho que publicizar e discutir isso é mais uma via para potencializar as possibilidades de superação desses problemas, acredito que se a maioria compreender que não está satisfatório vamos ganhando força coletiva para ultrapassarmos as barreiras.
      Um abraço e sigamos em luta!

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  14. Olá, Rozana boa noite.Eu atuava no CREAS como psicóloga e recentemente assumi em um CRAS. Concordo com todas essas teses , sem exceção. Eu estava achando que talvez por conta da falta de atuação na proteção básica , estivesse confusa , mas aos poucos estou vendo que a situação é bem mais crítica. A primeira coisa que me chamou atenção no serviço foi a falta de acompanhamento do PAIF no SCFV,ausência de prontuários, superiores solicitando que a gente ocupe lugar de professor, coordenador pedagógico e até mesmo diretor…rsrs. O técnico de referência do CRAS no SCFV acaba ficando preso apenas a atendimentos pontuais e emergenciais.Olha, realmente é desanimador quando penso que temos um longo caminho a percorrer.

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    1. Oi Miriam,
      Esta análise pode desencadear desânimo mesmo, e acredito que muitos se abstêm destas reflexões para não se a ver com os problemas, mas eu acredito que não dá pra seguir sem fazer uma leitura crítica da situação para assim propor ações para transformá-la, mesmo que leve tempo. Só de você não se contentar em reproduzir silenciosamente esses equívocos instituídos já é um grande passo e daí virão suas ações e contribuições para o aprimoramento dos serviços.

      Desejo sucesso e coragem!

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  15. Concordo com todas as teses, mas destaco o fato da política de assistência está em constante mudança e avançando, contudo todas as mudanças recaem sobre os municípios. Nossos Cras estão sem equipes de trabalho suficientes para exercerem tantas atividades. Nossos poucos técnicos estão sobrecarregados de tantas atividades e não são preparados para mudanças constantes. Cadernos de orientações ajudam, mas não são suficientes. Em nosso município desde o reordenamento temos tentado rever e nos adequar orientações técnicas, dando prioridade aos momentos em grupo, ao convívio e ao fortalecimento de vínculos e usamos as oficinas como atrativos e oportunidades de desenvolvimento de potencialidades. Mas é evidente que precisamos de capacitações, de apoio técnico, diálogos. Nossos orientadores que exercem possíveis tão importante precisam ser capacitados. Sempre fazemos momentos de orientações, reuniões. Planejamento, mas precisamos de mais. Equipes mínimas só podem oferecer o mínimo.

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